Melanie Klein e conceitos de Inveja e Gratidão

Autora: Renata de Castro Schindel

Gratidão e inveja são sentimentos divergentes operantes desde o nascimento, tendo como primeiro objeto o seio. A inveja atua não apenas nas situações de privação, mas também na formação do caráter, de forma inconsciente. Pode atuar, inclusive, na reação terapêutica negativa, dando limite para o êxito analítico. Ela é uma expressão sádico-oral-anal de impulsos destrutivos.

A inveja se dá nas dificuldades do bebê em construir o objeto bom (significado da bondade materna, paciência e generosidade), pois se sente privado da gratificação do seio. É um sentimento raivoso para alguém que possui e desfruta de algo desejável, a qual incentiva ações do bebê para estragar esta coisa. Remonta a mais arcaica e exclusiva relação com a mãe (sem outros). Visa depositar maldade no objeto, excrementos maus, partes más do self com a finalidade de destruí-la. No sentido mais profundo, sua intenção é destruir a criatividade da mãe. É um aspecto destrutivo dentro da identificação projetiva. A inveja faz com que o bebê sofra ao ver que outra pessoa possui o que ele quer para si. O invejoso sente-se bem com o infortúnio dos outros. Qualquer esforço para satisfazê-lo é infrutífero.

Já o ciúme, diferentemente da inveja, presume uma relação com outra pessoa. É um sentimento de amor que lhe é devido e que foi tirado por um rival (gerando privação da pessoa amada). O ciúme teme perder o bom do objeto (veja que aqui existe a relação com o bom). Pode ser uma paixão nobre aguçada pelo medo ou ignóbil voracidade estimulada pelo medo.

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Estrutura Esquizofrênica de Jean Bergeret

Resenha Formação em Psicoterapia Psicanalítica
Primeiro semestre – 2018/1
Sabrina de Aguiar Fernandez

Resenha sobre a Estrutura Esquizofrênica de Jean Bergeret

Bergeret fala das estruturas fundamentais do indivíduo, iniciando pelas mais rudimentares até as mais evoluídas em relação ao desenvolvimento típico, pontuando as diferenças entre elas. Vou enfocar a linhagem estrutural psicótica e dentro dela, a estrutura esquizofrênica. Na estrutura psicótica há uma falência da organização narcísica primária dos primeiros instantes de vida. A criança não consegue diferenciar-se da mãe-sujeito, como objeto próprio; o ego jamais está completo.

Na minha prática clínica atendo alguns pacientes com diagnóstico de esquizofrenia e estes apresentam diferenças entre eles. O primeiro, por exemplo, é dependente da mãe, sai de casa, vende balas na rua mas não sabe contar o dinheiro, leva lixo pra dentro de casa, fala palavrões para os vizinhos. O segundo traz a tia e a mãe nas consultas, cuida dos remédios delas, é muito organizado quanto a isto.

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O MANEJO DA INTERPRETAÇÃO DE SONHOS NA PSICANÁLISE

Artigo escrito por Patrícia Figueiredo De Souza Nunes
Curso de Formação Psicanalítica (Clínica Horizontes)
Professora: Lisandra Salles

Freud trata a questão da técnica e métodos da interpretação dos sonhos não como algo rígido e imutável, mas sim a maneira como o analista pode se utilizar da arte da interpretação, inquestionáveis formas de abordar o assunto, pode haver mais de um caminho bom, mas alguns maus o que leva a uma comparação para melhor esclarecer.

A clínica psicanalítica desperta o interesse no conteúdo dos sonhos trazidos pelos pacientes, mas não sendo somente algo linear, conteúdos que fazem sentido primeiramente como um primeiro relato podem ser atropelados por novos sonhos e assim ter que retomar o primeiro no meio de novos assuntos que apareceram. A importância do conhecimento da superfície da mente do paciente para o analista é primordial, pois em qualquer instante complexos e resistências se ativam e o comportamento consciente é o que o orientará. A interpretação que aparece em uma sessão deve ser compreendida como suficiente e não considerar prejuízo se não aparecer todo o conteúdo, deve ser respeitada a primeira coisa que vem à mente do paciente e assim ir trabalhando como aparece, com cuidado que a interpretação não seja para o paciente como algo que deva ter resolução por parte do analista e/ou que o paciente sinta a necessidade de ter ou trazer sonhos e assim gerando a interrupção destes.

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artigo nathalianarcissmo

Sobre o Narcisismo: Uma introdução

Artigo escrito por Natália Mezera Araujo – Formação em Psicoterapia Psicanalítica – Instituto de Ensino Horizontes | Julho de 2018

Inicialmente descrito como algo perto da perversão, referindo-se a pessoa que trata seu corpo da mesma forma que um objeto sexual, o termo narcisismo passou por modificações até ser considerado como uma parte da libido que faz parte do curso normal do desenvolvimento sexual. Falar sobre narcisismo parece estar sempre beirando entre a normalidade e a patologia, entre o que nos identificamos e o que não nos pertence. Em uma sociedade tão adoecida como a atual, pensar em narcisismo e suas nuances nos aproxima da clínica e mais ainda, nos aproxima de nós mesmos.

No texto de 1914, Freud inicia a pensar no conceito de narcisismo através da esquizofrenia, que apresentava duas características fundamentais: megalomania e desvio de interesse do mundo externo. Em relação a essa última, questionava-se para onde iria essa libido que foi afastada dos objetos externos. A conclusão é que ela seria dirigida para o ego, sendo denominada dessa forma de narcisismo. Este o narcisismo secundário. Existe a ideia de uma libido original do ego, porém esse ego precisa ser desenvolvido e é inicialmente, como sabemos, um ego corporal, encontrando-se nessa fase num estado de auto-erotismo. Freud deixa claro que é preciso uma ação específica, a qual ele chama de nova ação psíquica, a fim de provocar o narcisismo. Este o narcisismo primário.

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