O MANEJO DA INTERPRETAÇÃO DE SONHOS NA PSICANÁLISE

Artigo escrito por Patrícia Figueiredo De Souza Nunes
Curso de Formação Psicanalítica (Clínica Horizontes)
Professora: Lisandra Salles

Freud trata a questão da técnica e métodos da interpretação dos sonhos não como algo rígido e imutável, mas sim a maneira como o analista pode se utilizar da arte da interpretação, inquestionáveis formas de abordar o assunto, pode haver mais de um caminho bom, mas alguns maus o que leva a uma comparação para melhor esclarecer.

A clínica psicanalítica desperta o interesse no conteúdo dos sonhos trazidos pelos pacientes, mas não sendo somente algo linear, conteúdos que fazem sentido primeiramente como um primeiro relato podem ser atropelados por novos sonhos e assim ter que retomar o primeiro no meio de novos assuntos que apareceram. A importância do conhecimento da superfície da mente do paciente para o analista é primordial, pois em qualquer instante complexos e resistências se ativam e o comportamento consciente é o que o orientará. A interpretação que aparece em uma sessão deve ser compreendida como suficiente e não considerar prejuízo se não aparecer todo o conteúdo, deve ser respeitada a primeira coisa que vem à mente do paciente e assim ir trabalhando como aparece, com cuidado que a interpretação não seja para o paciente como algo que deva ter resolução por parte do analista e/ou que o paciente sinta a necessidade de ter ou trazer sonhos e assim gerando a interrupção destes.

As produções oníricas em casos de neurose grave são incapazes de solução completa, no ato de interpretar completamente o sonho, as resistências latentes e intocadas se ativam podendo se limitar à sua compreensão. Uma interpretação completa coincide com o final da análise, pode ser guardada a informação, sendo trabalhada e cruzar ideias posteriormente. O mesmo ocorre se isolarmos um sintoma principal, não será resolutivo pois necessita reunir fragmentos do que significa determinado sintoma.

É com cautela que deve ser interpretado os sonhos, respeitando as regras técnicas que orientam o caminho como um todo, a confiança e habilidade da compreensão do simbolismo onírico é independente das associações do paciente. Esse analista fica livre da exigência de interpretações.

Conforme Freud (1911) quanto mais o paciente aprende na prática da interpretação dos sonhos, mais sombrios se tornam os próximos sonhos, o conhecimento adquirido serve para colocar em guarda o processo de construção onírica. É destacado que alguns psicanalistas solicitavam que seus pacientes anotassem os sonhos o que é compreendido como supérfluo pois as associações realizadas que são de suma importância no processo terapêutico.

Os sonhos corroborativos acompanham acessivelmente a análise e a tradução se apresenta como o tratamento alcançou, é o que o analista sugeriu durante o percurso na forma onírica. A grande maioria dos sonhos se antecipa a análise uma alusão a algo que estava oculto. O analista experiente reconhece que certas observações derivam de condições estimuladas pelo tratamento.


Referência: Freud, S. (1913/1996). Obras Completas, vol 7. O Caso Schreber, Artigos sobre Técnica e outros Trabalhos. Porto Alegre: Imago.